Varejistas rastreiam dados de clientes para personalizar vendas

O shopping center Hill Country Galleria, com sede em Bee Cave, Texas, usou essas informações para descobrir que muitos clientes possuíam animais de estimação.

Por isso, instalou bebedouros, espaços para deixar os animais sob cuidados e para tirar fotos ao estilo “O Melhor Amigo do Papai Noel” com os amigos peludos. O tempo gasto pelos clientes no shopping aumentou 40%, de acordo com o CBRE Group.

Um shopping center em Chicago descobriu que estava atraindo clientes de bairros asiáticos, por isso decidiu alugar uma loja para uma mercearia sofisticada de especialidades asiáticas.

A Dunkin’ Brands, que abriu 278 lojas de donuts nos Estados Unidos no ano passado, utilizou dados de celulares para se assegurar de que as novas unidades não “roubariam” clientes de locais já existentes.

O setor varejista segue a trilha das migalhas de pão eletrônicas deixadas por milhões de clientes. E a estratégia está ajudando o segmento em um momento de crise.

As empresas estão comprando dados de celulares que podem rastrear onde e por quanto tempo as pessoas compram, comem, veem filmes – e para onde vão antes e depois dessas atividades. Com isso, as varejistas podem identificar detalhes pessoais para traçar um perfil dos consumidores e decidir que tipos de lojas abrir e como promover anúncios.

Os dados estão transformando os negócios, mas despertando preocupações sobre privacidade. A ideia de que empresas usem técnicas de rastreamento causa inquietação em algumas pessoas. Todas as empresas entrevistadas para esta reportagem disseram que optam por não usar informações que possam identificar indivíduos.

Mas, na maioria das vezes, operam sob uma promessa de honestidade, porque as regras que regulamentam dados permanecem relativamente frouxas.

A prática é chamada de análise de localização. O setor deve movimentar US$ 15 bilhões até 2023 no mundo todo comparados aos US$ 8,35 bilhões em 2017, segundo a empresa de dados móveis Placer.ai. Mais da metade das varejistas pesquisadas no ano passado disse que possui parcerias com empresas terceirizadas para coletar dados de localização.

“Historicamente, só podíamos observar comportamentos teóricos das pessoas”, disse Alan McKeon, diretor-executivo da Alexander Babbage, que coleta e vende dados de localização. “Agora podemos ver de onde estamos realmente colhendo os dados e descobrimos que as áreas de comércio não se parecem em nada com o que pensávamos.”

Os aplicativos dos celulares coletam dados do usuário ao longo do dia, marcando locais e coletando latitudes, longitudes, tempo e identificações do dispositivo. Agregadores, como a UberMedia, compram as informações e vendem os dados para empresas de análise como a Alexander Babbage, que filtram as informações para proprietários de imóveis do varejo. Normalmente,a empresa paga valores de seis dígitos pelos dados, disse McKeon, enquanto os pacotes para varejistas chegam a US$ 15 mil.

A UberMedia diz que monitora 800 milhões de dispositivos ativos por mês e tem 14 trilhões de observações de localização, com 4,5 anos de dados registrados.

Para obter detalhes, como idade, renda, etnia, nível de escolaridade, número de filhos e outros dados, as empresas conectam a localização noturna do telefone com os dados do Censo dos EUA.

fonte: economia.uol.com.br

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