Uma lição do peixeiro!

Artigo de André Tomé

Eram dois amigos inseparáveis. Sócios ainda por cima, o negócio era uma banca que vendia peixes. As funções muito bem definidas, Lourenço era o pescador. Todas as manhãs pegava sua canoa e se enveredava pelos rios e lagos em busca do produto que fomentava a boa clientela local.

Silvio, sujeito carismático, comunicativo e bastante empenhado nos resultados da banca de peixes era o vendedor. Passava o dia todo no estabelecimento, que por sinal, era bem localizado e sempre recebia bastantes encomendas, pois trabalhavam apenas com entregas ao longo da semana.

Todas as tardes, Lourenço trazia para a banca, em uma grande caixa térmica, toda a sua produção do dia, e a entregava ao eficiente vendedor que rapidamente já despachava as encomendas, e com a mesma volúpia cuidava de vender os poucos pintados, tilápias, traíras e outros que sobravam, ali mesmo.

Há alguns meses, Silvio já não se encontrava satisfeito com a pescaria de Lourenço:

” Meu amigo, precisamos conversar sobre sua pescaria, há tempos não traz a quantidade suficiente para antedermos toda a demanda de nossos clientes. Alguns já estão reclamando!”
Lourenço, ofendido com a colocação do amigo, e com os constantes atritos que essa situação estava causando, foi enfático:

“Pesque em meu lugar, vá à “caça” e veja se consegue fazer melhor. Sempre quis experimentar vender. Penso que isso será saudável para nós. Viver as dificuldades de cada função.”

Passaram-se um, dois, três dias e Lourenço notou a dificuldade do amigo para satisfazer seus pedidos. Depois de uma semana a conversa foi inevitável. Em uma noite bastante tensa depois do expediente da banca, os dois se reuniram para pôr um fim a essa situação.

Silvio, algo precisa ser feito, os clientes voltaram a reclamar, você em nenhum momento conseguiu pescar o suficiente para cobrir minhas vendas.” -reclamou Lourenço.

Em meio ao empasse, os dois colocaram-se a pensar. Vejamos alguns conceitos que faltavam aos amigos. O pescador pescava para vender. O vendedor vendia para pescar.

o peixeiro

Lourenço, o pescador, ia até onde dava, não ia além, não estava ameaçado. Não se doava porque não necessitava disso. O ambiente em que ele trabalhava também era propício ao sossego. Calmaria, o barulho das águas, as borboletas, o cantarolar dos pássaros, tudo levava o nosso amigo à zona de conforto. Existia outro fator que era preponderante para sua ineficiência, o pescador não sabia o quanto ele tinha que produzir. Consequentemente, não estava comprometido com os números, com as encomendas do dia seguinte. Lourenço simplesmente pescava a fim de levar os peixes para a banca.

Por outro lado, Silvio, o vendedor, trabalhava em ritmo alucinante, era movido pela energia do comércio da rua, pela movimentação financeira que presenciava. Ficava sempre a observar a concorrência, analisando seus resultados, por isso sempre se desdobrava para vender mais. Silvio vendia, se comprometia, gerava expectativas e contava com a pescaria de Lourenço, este por sinal, operava em outra frequência.

Após essa reflexão, os amigos não só conseguiram compreender as diferenças de cada um, como restabeleceram a ótima amizade e, além disso, dobraram o faturamento. Simples. Resolveram agir juntos.

Hoje, Lourenço e Silvio se uniram nas ações e vendem com toda a energia na segunda-feira e juntos, pescam com toda a intensidade na terça. E assim sucessivamente durante a semana.

Moral: Seja sempre peixeiro (vendedor de peixes) e nunca pescador. O peixeiro vende o peixe e se lança à pesca com todas as suas forças. Já o pescador, só conseguirá lucrar com a venda limitada dos peixes que já tem pela sua pesca.

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