Lojas que deixam clientes testem produtos antes de decidir se querem mesmo comprar

Inspiração vem de redes dos EUA e da Europa que também apostam na estratégia.

Ninguém experimenta um colchão dando uma deitadinha rápida no mostruário da loja”. É assim que Pedro Cruz, sócio da marca de colchões Flow, explica a especificidade de seu negócio.

Para provar ao cliente que vale a pena gastar dinheiro com seu produto, ele dá até cem dias para aqueles que não gostarem da compra devolverem-no e receberem toda a quantia de volta poucos dias depois.

Assim como Cruz, cresce o número de empresários da região que oferecem uma experiência de consumo mais prolongada e exclusiva para seus fregueses antes da concretização da venda, numa forma de mostrar os benefícios de seus produtos e também de consolidar uma relação com o comprador.

Cruz, morador da Barra, fundou a Flow há um ano. Todas as vendas são feitas por e-commerce, e há apenas um modelo de colchão no site, disponível em cinco tamanhos.

O produto, feito de espuma de alta resistência, tem camada de látex importado da Bélgica e é dotado de um selo europeu de qualidade. Ele chega à casa do cliente em uma pequena caixa — é comprimido com 15 toneladas de pressão e fica com uma espessura de um centímetro —, e, ao ser retirado, toma sua forma natural.

A estratégia de devolução foi inspirada pelos mercados americano e europeu, onde já é comum esse tipo de oferta. A política da Flow é bastante simples: se o cliente não gostar da mercadoria, ela é retirada pela própria empresa e, como não pode ser reaproveitada, doada para o Exército da Salvação ou, algumas vezes, destruída.

— O mercado de colchões é muito confuso para o consumidor, e a experiência de compra é a pior possível. O colchão influencia na saúde, na qualidade do dia; é tão importante quanto a alimentação. Por isso, nós damos cem dias para a pessoa se decidir. E estamos convictos de que o Código de Defesa do Consumidor deveria dar pelo menos 30. Você só vai saber se o colchão é bom ou não dormindo nele. Essa é nossa filosofia. Acredito que estou mudando um mercado importante, e enxerguei nisso uma oportunidade de fazer diferença na vida das pessoas — observa Cruz.

O índice de devolução é menor do que 10% do total de vendas, o que, segundo o empresário, representa um nível de satisfação altíssimo. Cruz ressalta ainda que, apesar das devoluções, os clientes não ficam insatisfeitos com a marca, uma vez que o processo não gera custos para eles.

Professor de educação física e dono da academia do condomínio Nova Ipanema, na Barra, Flavio Cassilati foi um dos primeiros clientes da Flow: comprou o produto há um ano. Ele não trocava de colchão há 17 anos, e conta que as noites maldormidas acentuavam seu problema de hérnia lombar.

Ao conhecer a marca, por meio de uma propaganda na internet, decidiu fazer o teste com o produto de Cruz. Já na primeira semana acordou sem dor e se encantou com a compra. Ele pretende, agora, usar a experiência em seu próprio negócio.

fonte:pequenasempresasgrandesnegocios

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